Especialistas alertam que não é momento de relaxar no controle das finanças

Por: Da Redação em 09/02/2021 - 18h46

A pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19) trouxe inúmeros impactos nas finanças dos brasileiros. Enquanto muitos perderam o emprego devido à crise causada pelo patógeno e o consequente fechamento do comércio, outros se viram obrigados a adotar uma retração dos gastos diários.

Porém, os que saíram ilesos ao período transferiram as compras presenciais para novas soluções de consumo, em especial, aplicativos de compras, delivery e e-commerce. E com a reabertura das atividades econômicas em muitas cidades, essa parcela quer voltar a consumir, o que deve ser evitado ao máximo, segundo vários especialistas.

É o que aponta Nélio Costa, planejador financeiro da Planejar, que afirma que as compras podem servir para muitos como um consolo emocional, resultando em gastos impulsivos. Segundo o especialista, esse tipo de comportamento é esperado, por isso é necessário redobrar a atenção para ter mais consciência na hora de tomar decisões relacionadas ao consumo.

É como comer algo com muito açúcar, que traz um pico momentâneo de felicidade; por isso, as pessoas que ficaram muito tempo em uma situação emocionalmente estressante, agora querem realmente extravasar” [Nélio Costa – Planejador Financeiro]

Já sua colega de empresa Luciana Fernandes aponta que a angústia de estar restrito em casa gera uma exaustão mental, levando as pessoas a terem menos autocontrole. “Nós somos estimulados a consumir o tempo inteiro e passamos a desejar coisas que no fundo não precisamos, avalia.

Com o emocional abalado buscando por alívio, as compras se tornam uma opção viável principalmente com o uso e as facilidades do cartão de crédito. Luciana explica que com o uso do cartão, por exemplo, a sensação de perda de dinheiro é menor, o que pode fazer pequenas compras se tornarem uma bola de neve.

O comportamental nos mostra que nós temos uma aversão a perda muito grande e nisso entra o medo de perder oportunidades; ao ver uma oportunidade de compra, uma promoção, um frete grátis, por exemplo, parece um ótimo negócio e, com isso, criamos justificativas para gastar mais e o cartão de crédito facilita isso, pois não sentimos que o dinheiro está saindo do nosso bolso” [Luciana Fernandes – Planejador Financeiro]

Nesse contexto, ter um planejamento financeiro pode ser determinante para a tomada de decisões mais conscientes na hora do consumo, mesmo que o objeto de desejo seja considerado supérfluo. “O planejamento financeiro ajuda as pessoas a terem mais saúde financeira. A pessoa não deve ver o dinheiro como um troféu, mas, sim, para usá-lo da forma que quiser com consciência e de acordo com os seus objetivos”, explica Nélio Costa.

De acordo com ele, existem dois cenários para o consumo nesse momento de pandemia e isolamento: 1) quem conseguiu reduzir gastos e tem um dinheiro a mais guardado, e 2) quem teve renda reduzida e ainda assim quer gastar sem ter uma reserva financeira.

“No primeiro caso, se a pessoa conseguiu separar o dinheiro para os seus objetivos, como a reserva de emergência, aposentadoria, uma viagem, um patrimônio, e ainda sobrou um pouco, não tem problema gastar agora com algo que vá trazer um bem-estar; mas quem teve perda de renda, não conseguiu poupar nada e está querendo comprar algo para aliviar a tensão emocional, gastar com algo supérfluo agora é abrir mão de um plano futuro”.

Por isso é importante aproveitar esse momento de quarentena para definir as prioridades, metas, objetivos e até rever todo o orçamento. Luciana Fernandes diz que é preciso pensar no que foi mudado durante a pandemia, no que foi possível reduzir, mesmo forçosamente, e no que ainda é possível ajustar para ter mais controle das finanças.

“Se eu tenho um objetivo de planejamento financeiro é para eu ser mais feliz, mais saudável e sustentável financeiramente. Com a pandemia estamos tendo muitos estímulos para tomar decisões prejudiciais e o planejamento financeiro acaba sendo nossa segurança, como um guia, nos auxiliando a rever os planos, organizar as contas e tomar decisões mais benéficas quanto ao uso do nosso dinheiro”, conclui.

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