Nubank e PicPay devolvem auxílio emergencial para Caixa

Por: Da Redação em 09/02/2021

Clientes das contas digitais Nubank e PicPay acordaram mais pobres na última terça-feira (7). Eles acusam as fintechs de sumirem com o dinheiro de suas contas. Segundo eles, o montante que supostamente deixou de ter saldo na conta corrente é relativo ao pagamento do auxílio emergencial do governo federal. Porém, ele não sumiu. Ele voltou para a Caixa Econômica Federal.

Explicação

Isso se deve ao fato de que os beneficiários do auxílio emergencial precisam administrar o dinheiro pelo Caixa Tem, aplicativo que apresenta falhas desde o início do pagamento dos R$ 600, e não conseguiu solucioná-las, em parte pela alta demanda de acesso.

Com a formação de filas nas agências e virtuais, a instituição criou um cronograma para saque do benefício, o que também restringiu transferências para outros bancos.

Essas transações dependem da data de nascimento do beneficiário e poderão ser feitas a partir de 18 de julho com um calendário que se estende até setembro. Até lá, o beneficiário pode usar o aplicativo para pagar contas no comércio que esteja aberto e boletos.

Depósitos via boletos são os ‘culpados’

Porém, boa parte das contas digitais de fintechs do país, como Nubank e PicPay, aceita depósitos através de boleto, um serviço criado para driblar as altas taxas de transferências bancárias do tipo DOC e TED. Dessa forma, a ferramenta passou a ser usada para transferir o dinheiro para uma conta antes do calendário da Caixa.

Na última terça-feira (7), ao notar pagamentos em duplicidade, a Caixa comunicou o Picpay e o Nubank afirmando que havia identificado esse problema e pediu o estorno, o que é uma praxe do mercado financeiro.

Porém, somente após começarem a devolver o dinheiro que as fintechs perceberam que várias das operações não eram em duplicidade, mas, sim, dois boletos de mesmo valor que foram pagos e apresentaram comprovantes distintos. Ou seja, em vez de pagar um único boleto de R$ 600, os clientes estavam pagando dois de R$ 300, por exemplo. Após verificar essa questão, os estornos à Caixa foram interrompidos.

Em comunicado à imprensa, o PicPay afirmou que 2,9 milhões de usuários transferiram benefícios para a conta digital e que a falha foi resultado de uma instabilidade no aplicativo Caixa Tem.

O Nubank, em nota, afirmou que atendeu ao pedido da Caixa, mas, ao perceber a falha, , suspendeu os estornos e devolveu os valores.

Assim que informado pela CEF sobre a situação, o Nubank, agindo de boa-fé, comunicou seus clientes sobre o equívoco e, seguindo as recomendações da CEF, iniciou o processo de estorno dos valores excedentes de volta para o banco estatal. As devoluções foram suspensas assim que o Nubank identificou inconsistências nos dados fornecidos pelo banco estatal” [diz parte do comunicado da Fintech]

A fintech afirma, ainda,m que suspendeu o estorno após detectar imprecisão nos dados fornecidos pela Caixa. Mas não disse ter devolvido o dinheiro aos clientes, que estão, em alguns casos, com seus saldos zerados.

O Nubank lamenta o transtorno causado aos seus clientes e informa que, devido à imprecisão dos dados da CEF, a empresa decidiu reverter imediatamente os valores aos seus clientes mesmo não sendo responsável pela falha. Os clientes afetados já começaram a receber os valores em suas contas. A empresa aguarda esclarecimentos adicionais do banco estatal” [finaliza o comunicado do Nubank]

A Caixa não emitiu nenhum comunicado. A instituição vem enfrentando muitos problemas com o app Caixa Tem, que atende 65,2 milhões de brasileiros que perderam renda durante a pandemia do novo coronavírus. Uma das queixas mais comuns é que para entrar no aplicativo, há uma fila de espera de horas.

Além dos beneficiários do auxílio emergencial, a Caixa vai usar o Caixa Tem para pagar o saque de R$ 1.045 do FGTS.

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