Número de Financiamentos Dispara no Brasil durante a Crise

Por: Da Redação em 09/02/2021 - 18h46

A procura por crédito imobiliário aumentou quase 65% no país, nos primeiros cinco meses do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com pesquisa da plataforma digital de crédito imobiliário Melhortaxa.

Ao todo, foram quase 25 mil pedidos efetivados entre janeiro e maio por meio da plataforma, que teve quase 465 mil usuários neste período. Os créditos contratados com instituições financeiras por intermédio da plataforma já superam R$ 65 milhões este ano, apesar dos impactos da crise, gerada pelo novo coronavírus (Covid-19).

Para o professor de economia da PUC Minas, Jean Max Tavares, a queda na taxa básica de juros brasileira, a taxa Selic, que hoje está em 2,25% ao ano, incentiva as pessoas a procurarem o financiamento de bens duráveis, especialmente a tão sonhada casa própria. Além disso, ele destaca os pedidos por refinanciamento, ocasionados pela crise, já que as pessoas e empresas, com perda de renda, buscam se reposicionar e novas formas de quitar seus compromissos.

“Ainda que muitas instituições financeiras estejam oferecendo condições mais vantajosas para obtenção de financiamento (juros menores, maior prazo de carência, etc.), o que se verifica é o aumento dos pedidos para refinanciamento em decorrência da queda na receita de muitas empresas, o que dificultou manter os compromissos financeiros assumidos em dia”, constata o especialista.

Apesar das vantagens que você cliente possui neste tipo de modalidade, é preciso se atentar a alguns aspectos antes de fechar qualquer financiamento, seja de sua casa própria, um automóvel, algum serviço, enfim, o que você pretende adquirir.

Atenção aos juros

Impulsionados pela Caixa Econômica Federal (CEF), outros bancos privados também decidiram prorrogar o parcelamento de produtos já financiados, em um prazo de até seis meses, para pessoas e empresas se organizarem financeiramente, devido ao período em que estamos vivendo.

Apesar desse adiamento, o economista Jean Tavares alerta para uma “pegadinha” realizada pelas instituições financeiras, já que, em muitos contratos, há a cobrança de juros ou multa, o que configura uma renegociação e não um adiamento de dívida.

“A principal vantagem desse adiamento é dar um fôlego a mais para as pessoas e empresas que tiveram perda de renda ou de receita (faturamento) desde o início da crise, dificultando o pagamento de seus compromissos e de suas folhas salariais. No caso dos financiamentos imobiliários, em que foi possível adiar de dois a seis meses o pagamento das prestações, estima-se que 600 mil brasileiros tenham solicitado esse benefício. Entretanto, fique atento às condições oferecidas antes de aceitar a suspensão, visto que tal ‘benefício’ tem sido concedido com acréscimo de juros e multa, configurando praticamente uma renegociação ao invés de suspensão. Além disso, verifique se as parcelas adiadas estão sendo ‘jogadas’ para o fim do financiamento. Caso contrário, o consumidor terá que pagar duas parcelas juntas em apenas um mês, por exemplo, dificultando sua vida financeira”, orienta o economista.

Por fim, Tavares complementa. “Certifique-se que a taxa de juros para calcular o valor futuro da prestação a ser adiada esteja sendo a mesma que foi contratada no início do financiamento”, ressalta.

Reserve um valor do salário para o financiamento

O professor alerta você cliente, que ainda pretende financiar algum produto ou serviço, para alguns pontos importantes, antes de fechar qualquer contrato, como não comprometer mais que um quarto de seu salário e buscar, junto à instituição financeira, a menor taxa de juros possível.

“Antes de qualquer coisa, o consumidor precisa verificar a capacidade de seu orçamento em absorver esse novo compromisso financeiro. Em caso positivo, o consumidor deve verificar a taxa de juros que está sendo cobrada (na dúvida, use a Calculadora do Banco Central) e avaliar se está dentro das taxas do mercado. Em seguida, atente para o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento, que mostra, além dos juros, o que ele irá pagar a mais, como Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), algum tipo de seguro e, geralmente, uma tarifa de cadastro”, orienta Jean Tavares. Quanto ao comprometimento do seu salário, o professor enfatiza.

“Verifique se a prestação do seu futuro financiamento – ainda que esteja sendo aprovado pela instituição financeira – está ultrapassando 25% do seu rendimento mensal (a maioria, entretanto, sugere esse limite a 30%). Não caia nessa armadilha e não conte com um aumento futuro da sua renda”

Para destacar o quanto o consumidor paga de juros, além de outros gastos com o custo total (incluindo impostos), o economista dá um exemplo para clarear sua mente. “Em um recente anúncio de um produto, verificou-se que a taxa mensal era de 0,99% – equivalente a uma taxa anual de 12,55%. Ao incluir os demais custos do financiamento e obter o CET, esta taxa subiu para 1,304% – equivalente a 16,82%. Portanto, fique atento. Se o financiamento de um automóvel (R$ 45.000,00) a 0,99% ao mês com prazo de 60 meses, isso equivaleria a R$ 998,27 por mês. Mas, se esse mesmo financiamento for feito a uma taxa de 1,304%, a prestação mensal passaria a ser de R$ 1.085,92”, compara o profissional.

Prefira financiamento a curto prazo

Uma regra básica em finanças é que “quanto maior for o prazo de um financiamento, maior será a despesa com juros a ser paga”. Ainda que a taxa de juros seja a mesma, um financiamento de cinco anos implicará em menos despesa com juros que outro de sete anos.

O professor Jean Max Tavares exemplifica, com clareza, esta questão. “Imagine um financiamento no valor de R$ 20.000,00 a uma taxa de juros mensal de 3% ao mês, com duração de 60 meses (cinco anos). Ao final dos cinco anos, o consumidor terá pago R$ 43.359,60 – desse valor, R$ 23.359,60 refere-se a despesa com juros”. Max Tavares complementa.

“Caso o financiamento fosse feito apenas mudando a sua duração, passando para três anos, ao seu final o consumidor terá pago R$ 32.978,88 – desse valor, R$ 12.978,88 seria referente a juros. Portanto, mantendo o mesmo valor financiado, a mesma taxa de juros e reduzindo apenas a duração do financiamento de cinco para três anos, o consumidor economizaria R$ 10.380,72”, finaliza o economista.

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