Tudo o que você precisa saber sobre educação financeira

Ter uma boa relação com o dinheiro está longe de ser realidade para a maioria dos brasileiros. Além de a maior parte da população trabalhar muito e ganhar pouco, a educação financeira não faz parte da cultura do nosso país. O estímulo ao consumo é grande, mas pouco se fala em poupar e investir.

Saiba que, no entanto, nunca é tarde para mudar um cenário desfavorável. Com um mínimo de educação financeira, todos podem atingir o bem-estar financeiro, não importa o tamanho do salário ou a classe social. Não se trata apenas de economizar, cortar gastos e acumular patrimônio: saúde financeira significa buscar qualidade de vida, com segurança para aproveitar a vida com menos preocupações.

Você se encaixa neste cenário? Pretende começar o novo ano com as finanças em dia, bem como com um bom planejamento financeiro em prática? Então, não deixe de ler este artigo! Nele, a gente vai falar tudo o que você precisa saber sobre educação financeira, sua importância, além de te sugerir nove dicas bem bacanas, para que você inicie 2021 com as finanças organizadas e sem passar sufoco no fim do mês! Acompanhe conosco!

O que é educação financeira?

Educação financeira é o processo de conscientização em relação às melhores formas de administrar e aplicar o próprio dinheiro. Com informação, formação e orientação feitas de forma adequada, uma pessoa se torna capaz de fazer escolhas, conhecendo a fundo as oportunidades e os riscos, caminhando em direção a uma vida financeira saudável.

Em outras palavras, trata-se da arte de dominar o dinheiro e usá-lo a seu favor. Pense: você controla o dinheiro ou ele te controla? Costuma sobrar uma parte do seu salário ou você trabalha só para pagar contas? Você sempre fecha o mês no vermelho?

Se você respondeu sim para essas perguntas, isso significa que precisa melhorar a sua educação financeira. Porém, não se desespere: essa é a realidade da maioria das pessoas no Brasil. A boa notícia é que você pode começar a melhorar a sua situação hoje, não importa o tamanho do seu salário.

Ao contrário do que a maioria pensa, educação financeira não tem a ver com quanto você tem na conta, mas com o uso que você faz do que tem. Com a mentalidade e os hábitos certos, aos poucos você poderá organizar seu orçamento e começar a construir sua segurança financeira. E acredite: começando o processo, você vai ver que, com um pouco de disciplina e organização, não é tão difícil assim como parece!

A importância da educação financeira

Sem educação financeira é muito difícil conquistar a independência financeira. Apesar de haver exceções, são pouquíssimas as pessoas que conseguiram ficar ricas por acaso. Normalmente, construir um patrimônio consistente depende de dois fatores: trabalho, para acumular recursos; e conhecimento, para multiplicá-los com eficiência.

Pessoas com educação financeira são mais conscientes em relação ao orçamento pessoal. Por isso, jamais gastam 100% do que ganham e sabem da importância de uma reserva de emergência. Isso faz com que seja possível lidar com o dinheiro sem ser controlado por ele, como acontece em muitos casos.

Essa mentalidade ajuda a alcançar todo tipo de objetivo, dos mais básicos aos mais complexos. Dessa forma, fica mais fácil, por exemplo, honrar compromissos em dia, como o pagamento do aluguel, telefone, água, gás e supermercado. Também dá para pensar em sonhos maiores, como um carro novo ou a casa própria.

O grande benefício da educação financeira é a qualidade de vida que ela traz. A vida já é cheia de preocupações, e o dinheiro, definitivamente, não precisa ser mais uma delas! Ter as finanças controladas melhora o dia a dia no trabalho, o humor, o bem-estar e os relacionamentos pessoais, uma vez que sua rotina fica muito mais leve!

A educação financeira no Brasil

No Brasil, raramente é ensinado em casa ou na escola como lidar com o dinheiro. A maioria das pessoas pensa que investir é para poucos, e que o melhor a se fazer é guardar o dinheiro na poupança, pois é mais seguro. Apenas poucas pessoas muito interessadas têm acesso ao básico sobre organização financeira pessoal.

Para piorar ainda mais esta situação, o Brasil é um país movido pelo consumo. A soma dessa cultura com uma educação financeira pobre é altamente nociva para a população. As pessoas são estimuladas a comprar a todo o momento, mas nem sempre contam com os recursos necessários. Movidas pelo desejo de ter, acabam caindo em empréstimos e parcelamentos que se transformam e dívidas intermináveis.

De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), apenas 8% dos brasileiros conseguiram guardar algum dinheiro em 2018. Porém, no início do ano, 56% dos entrevistados disseram que tinham interesse em poupar. Ou seja, o brasileiro até quer fazer uma reserva financeira, mas ainda não consegue fazer isso.

Outra questão importante é a falta de conhecimento sobre aplicações financeiras. Quando questionados se pretendiam realizar algum investimento, 25% dos participantes disseram que sim. Porém, 17% relataram aportes em bens duráveis, como carros e imóveis, o que na verdade não consiste em investimentos.

O planejamento do futuro também está longe de ser o ideal no Brasil. Segundo dados da Mercer, em países desenvolvidos 89% das pessoas contribuem com algum plano de previdência privada. No Brasil, a taxa é de só 15%.

Mudanças bem lentas no cenário

Apesar de o Brasil ainda estar engatinhando na educação financeira, aos poucos o cenário está mudando. Nos últimos anos, muitos canais online começaram a abordar o tema, e o interesse vem sendo cada vez maior.

Além disso, as organizações começaram a estimular seus funcionários a cuidarem melhor das finanças. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), há 20% de aumento anual na procura de empresas por serviços de educação financeira pessoal, com o intuito de oferecer mais conhecimento aos colaboradores.

Esses serviços incluem palestras, workshops, conteúdo para internet, cartilhas, e-books e projetos de intranet com foco em gerar a cultura de planejamento financeiro a longo prazo.

Em 2017, a educação financeira foi incluída pelo Ministério da Educação na Base Nacional Comum Curricular. Isso significa que o assunto pode e deve ser abordado além das aulas de matemática. A medida ainda precisa ser melhor trabalhada, mas pode ser um bom começo para o ensino de cuidados financeiros nas escolas.

Há, ainda, o aumento da presença de órgãos voltados para a educação financeira na sociedade. Globalmente, temos a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que vem ampliando sua atuação no Brasil. Por aqui, temos a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), que se dedica exclusivamente a iniciativas sobre o assunto.

Maior interesse por finanças durante a pandemia

Para dar a dimensão da importância de se avançar na educação financeira para futuras crises, como a que estamos vivenciando com a gerada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em pesquisa feita pouco antes da doença, pela Anbima e Folha de São Paulo, apenas 38% das pessoas das classes A, B e C constituíram algum tipo de reserva em 2019. Se, por simplificação, considerar-se que as pessoas das classes D e E não constituíram reserva, chega-se a 70% da população que adentrou o período da pandemia sem condição de constituir nenhuma reserva financeira.

Mais do que isso, 40% das pessoas que constituíram reserva o fizeram para consumo futuro (bens duráveis, imóveis, reforma de casa, viagem e estudos), reduzindo para apenas 18% o contingente de pessoas que constituíram reservas para poupança permanente. Este é o pano de fundo simplificado da vulnerabilidade financeira pré-pandemia no Brasil. Menos de uma em cada cinco pessoas constituiu reservas para poupança no período anterior à eclosão da crise.

Há sinais difusos, no entanto, desta postura financeira mais prudente, com maior disciplina orçamentária neste período de severa crise, o que pode ser alvissareiro para o futuro. No período de pandemia, por exemplo, houve um aumento do interesse da população pelo tema “investimentos”, que é parte integrante da educação financeira. O número de pessoas físicas com cadastro na B3 chegou a 3,1 milhões de CPFs, com crescimento de 87% sobre 2019.

Os tickets médios são decrescentes (R$ 121 mil, frente a R$ 267 mil em 2017), o que aponta para acesso mais difuso entre as diferentes classes de renda. A participação das mulheres tem aumentado consistentemente, chegando a 26% do total de CPFs cadastrados na B3. Os números ainda são modestos para uma população de mais de 210 milhões de habitantes, mas a pandemia pode ter remodelado alguns comportamentos humanos e, quem sabe, não venha a ser o despertar da cultura da educação financeira e dos investimentos no Brasil.

Nove dicas para você organizar suas finanças

Agora que você já entendeu o que é educação financeira, bem como qual é a sua importância, que tal aprender a colocá-la em prática? Confira, a seguir, nove dicas valiosas para você assumir de vez o controle do seu dinheiro!

Estude sobre o assunto

O primeiro passo rumo a uma vida financeira saudável é estudar sobre educação financeira. Você não precisa de um diploma em Economia, mas deve aprender os fundamentos básicos das finanças pessoais antes de colocar a mão na massa.

E você deve estar se perguntando: “onde buscar esse conhecimento”? Há alguns anos, isso poderia ser um pouco mais difícil, mas hoje temos a internet ao nosso lado! Procurando bem, é possível encontrar materiais muito ricos sobre o tema, e sem precisar pagar nada por ele. Diversos sites, blogs e canais no YouTube oferecem conteúdos de qualidade e 100% grátis.

No entanto, vale ressaltar, sempre pesquise sobre a fonte antes de consumir qualquer conteúdo. Com a popularização do assunto, muitos gurus por aí vendem sonhos impossíveis e resultados inalcançáveis, se aproveitando do desejo das pessoas de mudar de vida.

Para você se aprofundar ainda mais, procure livros, palestras e cursos com grandes nomes do mercado. Quem deseja investir na bolsa de valores, por exemplo, jamais deve começar sem estudar muito antes. Quanto mais conhecimento você adquirir, melhores serão os seus resultados.

Quite suas dívidas

Antes de pensar em fazer investimentos, é preciso que você coloque a casa em ordem. Tem dívidas? Deixou as contas da casa acumularem? Resolva a situação o quanto antes. Os juros, sobretudo os do cartão de crédito e do cheque especial, são altíssimos e podem comprometer qualquer planejamento financeiro.

É possível negociar suas dívidas em uma forma de pagamento que caiba no seu bolso. Faça isso e planeje seu futuro respeitando seus ganhos e sua possibilidade de poupar. Não hesite em revisar esse plano de ação de tempos em tempos, a fim de acelerar a quitação dos seus débitos.

Prepare-se para imprevistos

Depois de colocar as dívidas em dia, o próximo passo é construir uma reserva de emergência. Especialistas em finanças pessoais dizem que essa reserva deve ser o equivalente a seis meses do seu custo de vida atual. Então, se você, em um exemplo hipotético, tem despesas de R$ 4 mil por mês, deve ter ao menos R$ 24 mil reservados para imprevistos.

Vale lembrar que você deve utilizar esse dinheiro somente para situações impossíveis de planejar, como gastos médicos ou problemas com o carro. Do contrário, ele deve permanecer intacto em uma aplicação de renda fixa, para que o montante continue crescendo dia após dia.

Tenha um orçamento pessoal

Você já teve a impressão que o seu salário desapareceu sem que você percebesse? Pois é. A maioria das pessoas sabe exatamente quanto ganha, mas nem todo mundo tem noção de quanto gasta no mês. Para evitar esta situação, um dos princípios básicos da educação financeira é montar um orçamento pessoal. Mas como fazer isso?

Comece agrupando suas despesas em categorias: moradia, transporte, alimentação, educação, bem-estar, investimentos, dentre outras. Depois, com base na sua receita mensal, determine um limite de gastos para cada uma delas.

Ao longo do mês, anote diariamente cada gasto realizado e qual o meio de pagamento utilizado. Este é um excelente método para visualizar com clareza para onde está indo o seu dinheiro, fazendo cortes e adaptações sempre que for necessário.

Lembre-se sempre: as despesas nunca podem ser maiores que os seus ganhos.

Utilize ferramentas de gestão financeira

Para montar o orçamento pessoal, você pode utilizar uma ferramenta de gestão financeira. Existem diversas planilhas e aplicativos que ajudam no controle de despesas. Basta que você avalie as opções e escolha a que mais combina com o seu estilo de organização.

Muita gente ainda prefere o bom e velho caderninho, que, é claro, também é uma alternativa válida. O importante é adotar o método com o qual você se sente mais confortável para organizar, categorizar e visualizar os seus gastos mensais.

Corte gastos supérfluos

Algumas atitudes podem significar reduções relevantes de despesas, como adiar a troca do carro, deixar de comprar o último lançamento de celular e comparar preços de bens e serviços para conseguir o melhor custo-benefício.

No entanto, cortar gastos pequenos pode fazer uma enorme diferença no fim do mês. Sabe aquele bombom diário depois do almoço? Aquele cafezinho com pão de queijo à tarde? Acumulados, eles se tornam grandes vilões do seu orçamento.

As compras por impulso vão pelo mesmo caminho. Muita gente compra algo que não precisa só porque estava na promoção, por exemplo. Ou então, gasta o que não pode só para compensar um dia estressante no trabalho. Trabalhe o seu autocontrole para não cometer esses erros.

Estabeleça metas

Poupar não significa que você precisa deixar de fazer as coisas que gosta ou ter o que quer. Apenas quer dizer que você realizará esses gastos de maneira planejada e responsável.

Faça uma lista com todos os seus objetivos de curto, médio e longo prazo. Depois, pesquise preços e planeje seu dinheiro para cada uma dessas metas. Pode ser uma viagem no próximo ano, trocar de carro em três anos ou quitar a dívida do cartão em seis meses, por exemplo.

Repare que todos os exemplos citados contém prazos. Eles são essenciais para transformar o seu desejo em um objetivo concreto. Caso contrário, tudo ficará no campo dos planos, correndo o risco de jamais sair do papel.

Faça investimentos inteligentes

Pessoas com boa educação financeira sabem com clareza o que são ativos e passivos. Isso é importantíssimo na hora de diferenciar o que é um investimento e o que é um gasto.

Passivos são produtos que não geram nenhum rendimento financeiro ou até desvalorizam, como um automóvel. Já os ativos são produtos de investimento, que geram juros e multiplicam o patrimônio do proprietário. Portanto, para investir de forma inteligente, você deve adquirir ativos. Mas quais? Isso vai depender do seu conhecimento em finanças e de quanto dinheiro você tem disponível.

A dica número um é: jamais deixe seu dinheiro na poupança. Ela rende muito pouco, às vezes até menos que a inflação. A maior parte do seu patrimônio deve ser investida em fundos de renda fixa, como os CDBs, ou no Tesouro Direto. Essas opções são tão seguras quanto a poupança e oferecem rendimentos maiores.

Outro segredo importante é não ter pressa. Quanto mais tempo você deixar seu dinheiro investido, mais juros você vai acumular. Com mais estudo e mais patrimônio disponível, você pode começar a pensar em aplicações mais arriscadas, como debêntures e ações. Os ganhos são maiores, mas qualquer erro pode representar um grande prejuízo. Por isso, pesquise muito e invista apenas uma pequena porcentagem do seu dinheiro nesses fundos.

Prepare a sua aposentadoria

Para ter uma vida tranquila depois de parar de trabalhar, é preciso ter uma reserva financeira para complementar a aposentadoria. Esse é um dos papéis mais importantes da educação financeira: abrir a mente das pessoas para que elas se planejem a longo prazo.

Portanto, comece a planejar sua aposentadoria agora mesmo. Calcule quanto você precisará mensalmente para viver quanto não estiver mais na ativa, considerando os gastos médicos. Com base nisso, é possível ter uma ideia de quanto você precisa ter acumulado e planejar a melhor forma de chegar a esse valor.

Planos de previdência privada podem ser uma boa alternativa, bem como investimentos longos no Tesouro Direto. Estude qual é a melhor opção para você e mãos à obra!

Como vimos ao longo do post, a educação financeira é essencial para uma ter uma vida mais tranquila. E o melhor de tudo, é para todo mundo. Não espere ganhar o salário dos sonhos para começar a pensar na sua independência financeira. Você pode fazer isso agora, com o que tem hoje. Busque conhecimento e tenha ótimos resultados!

         
Da Redação
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